O que aconteceu aos dois médicos que associaram as vacinas ao autismo?

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O que aconteceu aos dois médicos que associaram as vacinas ao autismo?

Mensagem por Koppe em Qua Abr 19, 2017 11:58 pm

18/4/2017, 22:22

O britânico Andrew Wakefield e o norte-americano Jeff Bradstreet associaram as vacinas ao autismo. O primeiro foi proibido de exercer e o segundo ter-se-á suicidado.

Nos últimos dias, tem sido notícia o surto de sarampo que se está a viver em 14 países europeus, onde se inclui Portugal. A Direção-Geral da Saúde (DGS), através de comunicados, assim como os responsáveis de saúde, têm sensibilizado a população para a importância da vacinação, que tem uma eficácia “muito grande”.

Em toda a Europa a questão da vacinação, e das bolsas de população não vacinadas, tem sido posta em cima da mesa. O Observador recorda-lhe a história de dois médicos que tentaram associar a vacina ao autismo.

Andrew Wakefield foi proibido de exercer medicina

Em 1998, um artigo da autoria de Andrew Wakefield e outros 12 especialistas é publicado na conceituada revista The Lancet. Esse artigo sugeria a relação entre a vacina VASPR (contra o sarampo, a parotidite (papeira) e rubéola) e o autismo, partindo de um estudo de caso com uma amostra de 12 crianças.

Desde início que foi sendo apontada falta de solidez ao estudo, mas isso não impediu que o mesmo tivesse um grande impacto junto da comunidade, gerando um movimento antivacinação. De tal forma que, entre 2003 e 2004 a taxa de vacinação contra o sarampo, a parotidite epidêmica e a rubéola no Reino Unido, nas crianças com dois anos, baixou para valores na ordem dos 80%. E, em 2008, pela primeira vez em 14 anos, o sarampo foi declarado endêmico na Inglaterra e no País de Gales.

Ao longo da década que sucedeu à publicação do dito estudo 14 estudos científicos — inclusive levados a cabo pelo Instituto de Medicina da Academia Nacional das Ciências — vieram afastar qualquer associação entre a dita vacina e o autismo.

Em 2004, o Sunday Times [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.] que Wakefield falsificou dados clínicos em troca de dinheiro dos advogados dos pais de crianças autistas que queriam processar os produtores da vacina. Por essa altura, 10 dos restantes 12 autores do artigo retiraram os seus nomes da publicação. Uns anos mais tarde, outra investigação levada a cabo pelo British Medical Journal (BMJ) [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.] que Wakefield recebeu dos advogados o equivalente a cerca de 435 mil libras, e que das 12 crianças analisadas cinco já tinham problemas de desenvolvimento antes de receberem a vacina e outras três nunca tiveram autismo.

Em fevereiro de 2010, perante todas as evidências, a revista científica britânica The Lancet pediu desculpas pela publicação do artigo e retirou-o dos arquivos, dizendo que estava claro que vários elementos “estão incorretos”.

Passados três meses, na seqüência de um dos inquéritos mais longos da sua história, o General Medical Council considera provada a acusação de má prática grave contra Wakefield e aplica-lhe a pena de expulsão, por ter agido de forma “desonesta e irresponsável” e ter múltiplos conflitos de interesses.

Jeffrey Bradstreet ter-se-á suicidado

Se no Reino Unido, Andrew Wakefield associou a VASPR ao autismo, do outro lado do Atlântico, o médico norte-americano James Jeffrey Bradstreet relacionou não apenas a vacina contra o sarampo mas as vacinas em geral ao autismo, isto porque, segundo ele, o problema estava na toxicidade do mercúrio presente nas vacinas. Uma teoria rejeitada por grande parte da comunidade médica e científica mundial.

O médico dizia que as crianças autistas tinham quantidades de mercúrio no corpo maiores que as crianças sem autismo. E usava, nestas crianças, uma terapia (terapia da quelação) para eliminar metais pesados do organismo.

Durante cerca de duas décadas, Bradstreet alimentou um movimento anti-vacinação, ficando conhecido por ser um dos maiores ativistas deste movimento. E publicou vários artigos no Journal of American Physicians and Surgeons.

Em 2015, e depois de o seu consultório ter sido alvo de uma visita pela Food and Drug Administration (o regulador do medicamento norte-americano), o corpo de Jeff Bradstreet, na altura com 61 anos, [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.] por um pescador num rio da Carolina do Norte. Bradstreet tinha um ferimento de bala no peito e suspeita-se que se terá suicidado.

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Re: O que aconteceu aos dois médicos que associaram as vacinas ao autismo?

Mensagem por Quero Café em Qui Abr 20, 2017 6:51 pm

Interessante.
Mostra o impacto, digamos, político que a medicina, engenharia, a ciência e muitas outras coisas podem eventualmente ter.
P.S.: Existem algumas observações gramaticais que se podem fazer a " ter-se-á suicidado". Não estou afiado no assunto no momento, então não vou me aprofundar.
       Em primeiro lugar, o verbo ter deveria estar no futuro do pretérito porque a expressão foi empregada com a intenção de não indicar certeza se o médico se suicidou ou não. Ademais, não faz sentido a expressão "ter suicidado" no futuro. Em segundo lugar, apesar da mesóclise ter sido empregada corretamente, não faz sentido porque o verbo que pede o "se" nessa expressão é "suicidar" e não "ter". O correto seria então "teria se suicidado". Acho que existe em português de Portugal a construção "ter-se-ia suicidado", mas a princípio o texto parece escrito em português corrente brasileiro.
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Re: O que aconteceu aos dois médicos que associaram as vacinas ao autismo?

Mensagem por Koppe em Qui Abr 20, 2017 8:10 pm

Quero Café escreveu:Interessante.
Mostra o impacto, digamos, político que a medicina, engenharia, a ciência e muitas outras coisas podem eventualmente ter.
P.S.: Existem algumas observações gramaticais que se podem fazer a " ter-se-á suicidado". Não estou afiado no assunto no momento, então não vou me aprofundar.
       Em primeiro lugar, o verbo ter deveria estar no futuro do pretérito porque a expressão foi empregada com a intenção de não indicar certeza se o médico se suicidou ou não. Ademais, não faz sentido a expressão "ter suicidado" no futuro. Em segundo lugar, apesar da mesóclise ter sido empregada corretamente, não faz sentido porque o verbo que pede o "se" nessa expressão é "suicidar" e não "ter". O correto seria então "teria se suicidado". Acho que existe em português de Portugal a construção "ter-se-ia suicidado", mas a princípio o texto parece escrito em português corrente brasileiro.

Normalmente eu tento corrigir erros de digitação ou mesmo de ortografia quando posto os artigos (pelo menos os que sou capaz de detectar), além de reverter pra escrita pré-acordo-ortográfico, mas nesse caso o texto é em português de Portugal, então não me atrevi a mexer.
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Re: O que aconteceu aos dois médicos que associaram as vacinas ao autismo?

Mensagem por Quero Café em Sab Abr 22, 2017 4:35 pm

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Re: O que aconteceu aos dois médicos que associaram as vacinas ao autismo?

Mensagem por Seu Madruga em Seg Set 11, 2017 3:44 pm

são apenas coincidências.
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Re: O que aconteceu aos dois médicos que associaram as vacinas ao autismo?

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